É proibido ser do contra ou “pelo amor de Deus, raciocina um pouco por favor”
Vivemos em uma época em que é proibido ser do contra. É proibido discutir, debater ideias. O correto é forçar sua visão, sua opinião, e quem não concordar é logo taxado de censurador. Culpamos o politicamente correto por situações que sim, merecem ser criticadas pela sua forma. O politicamente incorreto não é uma carta branca para a ofensa.
Por que escrevo isso? Tenho pensado bastante sobre o caso Wanessa Camargo x Rafinha Bastos. Inclusive publiquei um pequeno texto direto no facebook sobre isso e outra baboseira que está na internet. Você pode conferir clicando aqui.
Poderia ter dado o assunto como encerrado, até ver a noticia que algumas pessoas gritaram “Rafinha, Rafinha, Rafinha”, no VMB, no momento em que a Wanessa Camargo pisou no palco para apresentar uma das categorias da premiação. Esse ato mostrou que o tal “humorista” está se tornando o bastião de algo que não merece: de que você pode dizer qualquer coisa e não pode sofrer nenhuma punição por isso.
Vejam: Wanessa será mãe. Toda mãe tem, por natureza, o instinto de proteção ao seu filho. Uma pessoa que fala “como a mãe e o filho” está não somente ofendendo a mãe, como também o filho. A Wanessa tem todo o direito do mundo de procurar os meios legais por causa dessa ofensa. Sim, ela se sentiu lesada. Sim, ela tem todo o direito de proteção ao seu filho.
Mas se ela tem todo esse direito, porque ela é a errada dessa história, pela grande maioria?
Não, amigo leitor, ela não está levando essa “piada” longe demais. Ela está correta ao defender seu filho! Por que ela deveria colocar uma máscara de falsidade e alegar “ah, tudo bem, ele pode ofender a mim e a meu filho, afinal, faz parte do humor.” Que humor? Onde está o humor nas seguintes frases: a) mulher feia deveria agradecer ao ser estuprada e; b) comeria a mãe (grávida) e o filho (ainda em gestação).
Pelo que o eu tenho percebido pelos comentários internet afora, ela é o lado errado dessa história não porque está procurando uma reparação aos danos morais que ela levou dessa frase. Ela é errada pois, de acordo com os comentários, ela canta mal! Sim, ELA CANTA MAL! Esse é o principal argumento dos comentários: o fato da pessoa não gostar da música dela lhe dá o todo o direito de achar que ela é a errada.
Mais alguem observou o absurdo disso ou foi somente eu?
Com isso eu volto ao começo deste texto. Hoje vale mais o que você gosta e quem é do contra é errado. Mesmo que seu gosto lhe tape os olhos para os absurdos do dia-a-dia.
As pessoas confundem liberdade de expressão com liberdade para ser imbecil. Simples assim. Rafinha Bastos ainda vai ser muito celebrado por aqueles que pensam como ele (mulher feia tem que agradecer por ser estuprada? Ninguém pensa em suas mães, irmãs ou filhas?) – e ainda vai dizer (e fazer) muitos absurdos, com as suas concepções deturpadas e perversas de humor.
O pior de tudo é todo circo que se formou em volta de tal coisa. Um é sem graça e a outra canta mal, mas o que está em questão é justamente uma pessoa que se sentiu lesada por tal comentário (não se pode chamar isso de piada) e está procurando seus direitos. Outra coisa que me irrita profundamente é quando começam os revolucionários de sofá do facebook a comparar político com humoristas, humoristas com Rafinha Bastos e essas coisas. Daqui a pouco chegam no velho chavão Hitler, pois o da fome já foi levantado. Sinceramente, eu tenho mais o que fazer.
Professor, falou TUDO!
Beira o absurdo o quanto de apoio estamos vendo ao que o RB fez.
Ele tentou ser engraçado, mas ficou na tentativa.
A coisa foi tão absurda que se você ver o vídeo, o Taz arregala o olho e solta um “rapaz, não fala isto” ou algo do tipo.
Viu que ia dar m*rda, afinal o que o RB disse era m*rda.
E se ela canta mal ou não, questão de gosto. E isto também não tem NADA ligado ao centro da discussão em si.
Discussão esta que, por sinal, está sendo completamente desvirtuada pela turma “super informada” (NOOOT!) do Facebook/Twitter/Orkut/etc…
Tudo deve ser debatido. Não precisamos nos tornar brutos e nem aceitar a opinião alheia, mas devemos levantar as questões sim, discutir e respeitar.
Por fim, que ela (e todo aquele que se sentir oprimido e achincalhado de forma imprópria e desproporcional) procure o que lhe é de direito: respeito.