Carta Aberta ao Sr Fernando Haddad, Ministro da Educação
Caro Senhor Ministro, tudo bem?
O senhor não me conhece, mas eu sei de suas atividades politicas, pois acompanho os noticiários. Sou professor da rede pública do Estado de São Paulo desde 2009. Me formei através de uma universidade pública e – veja só – estou devolvendo esse ato em forma de professor. Não sou ainda efetivo, ainda, mas pretendo. Então tenho trabalhado como eventual e contratado.
Mas este texto, Senhor Ministro, é para fazer um apelo e também mostrar algo que talvez – vou trabalhar na hipotese do talvez – o senhor não tenha percebido isso. Ou talvez já tenha percebido, e caso isso for verdade, só vai estampar que realmente há muita má fé para com a educação brasileira por parte de vocês, que estão no poder.
Recentemente foram divulgados os resultados do ENEM e as escolas públicas tiveram resultados pifios. Isso não foi surpresa para ninguem que trabalha com educação. Eu, particularmente, quando vi o resultados, quase levantei uma placa escrito “eu já sabia”. Apesar do pouco tempo de trabalho que eu tenho, dá para perceber o descaso que há. Alias, não precisar ser nenhum especialista em educação para perceber isso. O senhor pode ter certeza que da família mais rica até a mais pobre sabe disso.
E, veja só você, adivinha sobre quem cai a culpa desses resultados. Chuta, eu sei que você consegue acertar na primeira. Sobre o governo? Não, cai nos professores. Exatamente, nós somos os grandes vilões dessa história.
Somos nós que temos que aguentar uma sala lotada, uma jornada de trabalho exaustiva e uma infra-estrutura que nos obriga a tirar leite de pedra. Nos falam que temos que utilizar a internet como instrumento no auxilio da aprendizagem. Eu concordo com isso. Mas como posso fazer isso quando o laboratório de informática da escola não tem internet? Convenhamos que aí complica demais, não é senhor ministro. Imagine o senhor, em seu gabinete, sem um computador e um telefone. Ou mesmo sem uma caneta. O senhor conseguiria trabalhar decentemente assim?
E agora sai a noticia de que há a proposta de aumentar os dias letivos de 200 para 220. E essa ideia veio atraves de uma pesquisa de um subordinado seu. E é aqui que espero que o senhor me perdoe o linguajar: seus subordinados são umas antas. E por tabela o senhor também, veja só! Não sei se você já sabia disso, mas agora está sabendo.
Será que o senhor não percebeu que neste momento a urgência não é aumentar a quantidade de dias letivos. A urgência é melhorar a infra-estrutura, é modificar esse sistema educacional falido que vivemos. Senhor Ministro, vários colegas professores estão com medo de pisar na sala de aula. Ser professor se tornou uma atividade insalubre. Nós não temos mais nenhum respeito por parte dos alunos, nossa autoridade em sala de aula é praticamente nula! Vivemos um tempo em que é capaz de um aluno bater em um professor e o mesmo ter que pedir desculpa caso isso tenha machucado a mão do aluno! Isso é totalmente errado!
Na atual situação, os professores não querem que aumentem os dias letivos. Eles querem que diminuem! Veja quantos pedem afastamento, quantos estão ficando doente, enfim, veja o quanto nós sofremos! Ou isso é pedir demais?
E o que o senhor faz? Nada. Isso mesmo, nada. Investimento em educação, cadê? Reunir governadores e secretarios estaduais da educação e debater esses problemas, cadê? Ou o senhor está mais preocupado com a possivel candidatura a prefeitura de São Paulo?
O senhor me envergonha, ministro. O senhor e os governadores e os secretários da educação de cada estado da nossa nação. Sim, eu tenho vergonha de saber que moro em um mesmo país que vocês. Vergonha de perceber o grande descaso que vocês tem pela educação. E sabe o que é pior? Isso é um total desrespeito a todos os professores que o senhor já teve, desde a Dona Cotinha que te ensino o abc até o mais qualificado professor universitário que você, “Ministro da Educação”, teve.
Atenciosamente,
Wagner Brito de Jesus, professor de Geografia da rede pública de ensino.
Aposto que esse Ministro nem lembra o nome dos professores que teve. E com certeza não foi com os ensinamentos desses professores que ele aprendeu a ser tão safado.
A educação que devia ser prioridade nesse país, é deixada de lado sempre. Essa é a maior vergonha do país com certeza.
Abç
nossa, vc falou tudo, minha mãe é professora e eu sei o quanto ele sofrem, moro em Minas Gerais, e foram precisos 112 dias de greve para que o governador Antonio Anastasia, finalmente entrasse em acordo com eles. Será q é possível que a mente desses políticos seja tão pequena a ponto de so enxergarem os próprios umbigos??? Respeito muito a classe dos professores, pois acho que só pessoas de muita coragem e ombridade para assumir um cargo tão desrespeitado e mal pago como é o de um professor!!! Esses políticos ganham tao bem por absolutamente nada, enquanto os professores tem que ter dois e as vezes tres empregos para conseguirem dar uma vida digna às suas famílias! Queria ver um desses políticos sendo professores e vivendo com o salário de professor por um ano! Se suicidariam com certeza. Isso é só uma parte de minha indignação com a situação da educação e de outros serviços do país hoje, como os hospitais!! Adorei, sua publicação e creio que se a população brasileira não fosse tão omissa e resolvesse correr atrás de seus direitos como os muito honrados professores de BH, o brasil teria ido pra frente!!! Não vivi nessa época, mas queria que tivessem pessoas hj como as que participaram do movimento diretas já! por hj é só. Obrigada por sua atitude, é por causa de pessoas como vc que o mundo ainda ão foi pro saco!!!
Muito bem colega, eu também acho um absurdo o aumento dos dias letivos, quando falam em melhoria real dizem não ter verba é o caso do Piso Salarial, agora quando querem aumentar ainda mais o trabalho do professor aí sim eles são bons. Eu já tenho 06 anos de educação e confesso que comecei a frequentar cursinho para concurso, estou louco para sair fora da educação, e digo mais tenho oriento muito meus alunos a passarem longe dos cursos de licenciatura. Se hoje é 200dias letivos e eu já quero sair, quando for 220 vai acontecer demisão em massa.