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500 Dias com Ela

500 Dias com Ela é um filme redondo. Redondo para os cults de plantão. O baixo orçamento para a realização do filme (U$7.5 milhões) é contornado com ótimas interpretações e muita criatividade na edição.

Filmado por Marc Webb (primeiro filme longa-metragem do rapaz), conta a história de Tom (Joseph Gordon-Levitt). Basicamente a história é sobre ele. É um rapaz que trabalha em uma empresa de mensagens bonitas em cartões (daqueles que você compra em papelarias) mas que gostaria de ser arquiteto. Ele acredita no amor. Sério! Aí ele conhece Summer (Zooey Deschanel), uma moçoila que – ao contrário dele – não acredita no amor. Ok, até acredita, mas não da maneira como Tom. E vejam só que coincidência: os dois começam a sair.

O filme conta, de maneira bem interessante, os 500 dias desse relacionamento. Começo, meio e fim. São raros os filmes que mostram uma história de amor a partir da visão masculina sem soar piegas. Você pode falar “Alta Fidelidade também trata sobre isso“. E concordo com você, ambos filmes possuem duas caracteristicas em comum.

A primeira é que ambos mostram como a cultura pop está presente em nossas vidas, fazendo várias referências ao longo do filme. Em Alta Fidelidade isso é mais explicito enquanto que em 500 Dias com Ela é mais implicito, fica nas pequenas nuances ao longo do filme.

A outra é que ambos não são histórias de amor. São histórias sobre o amor.

Enquanto que em Alta Fidelidade o personagem (Rob Gordon) faz uma retrospectiva amorosa de sua vida para entender onde ele falhou no atual, Tom analisa onde tudo começou a desandar com Summer. São modos diferentes de procurar resposta para a velha questão: “o problema sou eu ou ela?”.

Nessa analise, os paradigmas de Tom são colocados em xeque e talvez os paradigmas dos que estão assistindo. Existe essa coisa de destino? Será possível acreditar no amor? Ou será que essa cultura pop, que nos rodeia a tanto tempo, está nos fazendo acreditar em um tipo de amor que não existe, não nesta realidade cheia de falhas?

Outra detalhe que merece destaque são as interpretações. Impossível ficar alheio, todos os personagens te conquistam, mesmo que sua participação seja pequena. Você vai amar Tom, você vai amar Summer. E você vai odiar Tom e também vai odiar Summer. São poucos os filmes que conseguem despertar essa dualidade no espectador.

Essa é a recompensa pela direção sincera e pelo desabafo do roteiro. Não fique bravo ou chateado por não concorrido ao Oscar. O maior mérito do filme foi justamente esse. O maior – e melhor – prêmio para esse filme é o carinho instantâneo que ele ganha ao ser assistido.

E por fim, a mensagem que o filme deixa é que é possivel acreditar no amor, mesmo quando aparece uma vaca na sua vida e te faz pensar se você está pensando errado. Não, meu amigo, você está correto.

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